terça-feira, 19 de outubro de 2010

Cientistas veem retrocesso na discussão moral sobre o aborto

 

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 Células-tronco embrionárias são as únicas do organismo com capacidade de se multiplicar sem limite

“Para os pesquisadores, a ênfase à questão expõe conservadorismos, mas ainda não põe em risco avanços científicos, como pesquisas com células-tronco

Cida de Oliveira, Rede Brasil Atual 

A intensidade com que assuntos morais figuram na pauta dos candidatos à Presidência da República é um retrocesso, na opinião da imunologista Milena Botelho Pereira Soares, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz da Bahia. “Questões como aborto não deveriam ter espaço na agenda dos candidatos. Cabe a eles discutir as propostas que têm”, critica.

A cientista, que investiga meios de utilizar células-tronco da medula óssea ou cardíacas no tratamento de males causados ao coração pela Doença de Chagas, não acredita, no entanto, que a onda de conservadorismo prejudique pesquisas como as que ele desenvolve.
A visão é compartilhada pela geneticista Lygia da Veiga Pereira, do Instituto de Biociências da USP, responsável pela criação da primeira linhagem brasileira de células-tronco embrionárias humanas extraídas de embriões congelados em clínicas de fertilização, que as jogariam no lixo.

“O uso de embriões nas pesquisas é amparado por lei”, afirma a geneticista. A lei em questão é o artigo 5º da lei 11.105/05, conhecida como Lei de Biossegurança, que permite o uso de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro que não foram usados no respectivo procedimento.

Segundo as cientistas, a grande confusão que se faz entre células-tronco e aborto está relacionada a aspectos filosóficos e religiosos sobre o início da vida. Seja como for, conforme elas, estudos apontam para fontes de células que, além de versáteis como as embrionárias, não apresentam problemas, como a geração de tumores.

O tema do aborto emergiu no debate eleitoral em função de uma movimentação de setores da Igreja Católica e de igrejas evangélicas que acusam o PT e a candidata Dilma Rousseff de serem favoráveis ao aborto. A legenda se posiciona sobre a discriminalização de mães que recorrem à prática, sem alterar a legislação em outros pontos. Porém, a pressão levou a concorrente governista à Presidência a assumir compromissos de não fazer alterações na lei em temas sensíveis para esses setores.”


Fonte: Brasil Brasil

As células-tronco no tribunal

O Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou ontem 20/06/08, por seis votos contra cinco, as pesquisas com células-tronco embrionárias. Desta forma se tornou improcedente a ação de inconstitucionalidade que questionava o artigo 5º da Lei de Biossegurança aprovada em 2005.
De agora em diante são legais as pesquisas com embriões que estejam congelados há mais de três anos e com autorização dos doadores apenas para o tratamento de doenças degenerativas.
A aprovação dessa lei pode beneficiar toda a sociedade, mas é bom lembrar que as células-tronco não podem resolver todas as doenças e seu uso deve ser estritamente para fins terapêuticos. O fato é que o tratamento e a cura de doenças através destes embriões pode ainda estar bem distante, mas com a legalidade das pesquisas as chances de aprimoramento da medicina regenerativa são muito promissoras.
É importante salientar que o uso dos embriões foi liberado apenas para pesquisas e deve-se tomar muito cuidado com possíveis “charlatões” oferecendo tratamento com células-tronco embrionárias, o que ainda não existe no Brasil e em boa parte do mundo. Há um longo caminho a ser percorrido, a técnica de manipulação de embriões deve ser aprimorada, o governo precisa aumentar o incentivo e os investimentos em pesquisas nessa área e todos os pesquisadores devem submeter seus projetos a comitês de ética de suas instituições e também ao Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) antes de começarem seus estudos. Por fim, muitos testes devem ser feitos, primeiro em animais e por último em humanos para comprovar que o tratamento dá resultado e só aí a tecnologia é homologada, o que pode levar anos.
O fato é que a esperança voltou e podemos, quem sabe, vislumbrar a cura de doenças como a distrofia muscular, o mal de Parkinson, o mal de Alzheimer, a esclerose múltipla, etc.
Quem viver verá!

Células-tronco 100% nacionais!

Não dependemos mais de tecnologia estrangeira. O Brasil já possui sua primeira linhagem de células-tronco embrionárias humanas!
Cientistas da Universidade de São Paulo - USP produziram a primeira linhagem de células-tronco embrionárias humanas do Brasil, batizadas de BR1. As células foram obtidas de embriões que estavam congeladosem clínicas de fertilização in vitro e que foram doados para pesquisacom a autorização dos genitores. É o primeiro resultado prático obtidono Brasil desde a legalização das pesquisas com embriões humanos, em
2005, pela Lei de Biossegurança - que foi questionada na Justiça e reconfirmada em maio pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Com isso, nossos pesquisadores não precisam mais depender de laboratórios estrangeiros para realizarem seus trabalhos e conquistam uma importante autonomia nessa área de estudo. Segundo a geneticista Lygia Pereira do Instituro de Biociências da USP, que particiou da produção da linhagem, foram necessários 250 embriões para chegar nessa primeira linhagem. O ponto positivo é que a partir dela podem ser geradas muitas outras, pois estas células são “imortais”, podendo ser multiplicadas “in vitro” indefinidamente sem perder suas características pluripotentes

Implicações Éticas - Células tronco



Opinião dos cientistas:

Os cientistas chocam-se com a opinião da religião, pois para eles, a formação materialista, que, em geral, possuem uma visão utilitarista, o embrião não é uma pessoa. É apenas um agrupamento de células (blastócito), que, por não serem, até o quinto dia, diferenciadas, e por não ter-se desenvolvido o sistema nervoso, não é uma pessoa.

A visão ética segundo a bíblia:

O embrião já é uma pessoa. “Diante disso, não se pode banalizar a vida, mesmo de um ser em potencial, ainda não plenamente formado, no ventre de uma mulher. É preciso que o sentido sagrado da vida seja respeitado por todos os homens, em todos os tempos, lugares e situações”...
Produzir embriões, que são pessoas, para escolher apenas um, e descartar outros, é ação que contraria os princípios éticos emanados da palavra de Deus, consubstanciada na Bíblia Sagrada.

Questões éticas levantadas pela religião:
Para o cristão, no entanto, a pessoa começa a existir no momento da fecundação, ou da fertilização do óvulo, que se transforma em ovo, ou zigoto. A partir daí, na visão dos que seguem a ética cristã, já existe uma pessoa, que não pode ser manipulada, pois deve ter sua individualidade respeitada.
A Igreja Católica opõe-se firmemente ao uso das células embrionárias nas pesquisas, por ferir a ética e a moral cristã. São frutos de fecundação artificial, na gravidez assistida, em que vários embriões são experimentados, na fecundação do óvulo. Somente um é aproveitado. Os outros são descartados, congelados, ou jogados no lixo. E isso é contrário ao valor absoluto da vida. Os embriões descartados são semelhantes aos fetos abortados, pois, neles, já há um indivíduo em formação, mesmo um “individuo extremamente jovem”,

O que sào células tronco?

Embrião humano na fase de blastocisto, do qual se extraem as células-tronco embrionárias


O que são células-tronco?

Células-troncos são células mestras que têm a capacidade de se transformar em outros tipos de células, incluindo as do cérebro, coração, ossos, músculos e pele.

O que são células-tronco embrionárias?
Células-tronco embrionárias são aquelas encontradas em embriões. Essas células têm a capacidade de se transformar em praticamente qualquer célula do corpo. São chamadas pluripotentes. É essa capacidade que permite que um embrião se transforme em um corpo totalmente formado. Cerca de cinco dias após a fertilização, o embrião humano se torna um blastocisto-uma esfera com aproximadamente 100 células. As encontradas em sua camada externa vão formar a placenta e outros órgãos necessários ao desenvolvimento fetal do útero. Já as existentes em seu interior formam quase todos os tecidos do corpo. Estas são as células-tronco de embriões usadas nas pesquisas.

O que são células-tronco adultas?
Esse nome é um erro, porque são encontradas em tecidos maduros, no corpo de crianças e adultos. As células-tronco de adultos são mais especializadas que as embrionárias e dão origem a tipos específicos de células. São chamadas multipotentes. Algumas pesquisas sugerem que as células-tronco adultas podem se transformar em tipos muito mais variados de células do que se supunha anteriormente.

Qual a fonte de células-tronco embrionárias?
Os cientistas geralmente obtém essas células de embriões descartados em clínicas de fertilidade. Os embriões criados pelo espermatozóide e óvulo de um casal -- e que não são implantados no útero nem destruídos pela clínica -- podem servir como fontes de células-tronco.

Quais os possíveis usos médicos das células-tronco?
As qualidades de transformação das células tronco podem representar tratamentos para muitas doenças que afetam milhões de pessoas no mundo. Por exemplo, uma injeção de células-tronco no cérebro de um portador de mal de Parkinson pode regenerar as funções dos neurônios do paciente e levar à cura. Outras terapias podem incluir diabete, mal de Alzheimer, derrames, enfartes, doenças sanguíneas ou na espinha e câncer.

Que outros usos médicos são possíveis?
Com o uso dessas células, os cientistas poderiam testar os efeitos terapêuticos e colaterais de drogas em tecidos humanos, sem ter a necessidade de utilizar animais. As células-tronco poderão também ser usadas no tratamento de problemas genéticos.

As células-tronco de embriões são melhores que as adultas?
Não se sabe por enquanto. Apesar de poder crescer em quantidade ilimitada em laboratório, as células embrionárias podem ser rejeitadas pelo sistema imunológico do paciente quando transplantadas, podendo inclusive gerar tumores. Como as células tronco adultas oferecem a possibilidade de ser retiradas do próprio paciente, evita-se o risco de rejeição. No entanto, ainda há dúvidas sobre sua capacidade de transformação em outras células. Além disso, sua produção em laboratório na quantidade necessária é mais difícil.

A que a polêmica diz respeito?
Para algumas pessoas, como grupos religiosos e antiaborto, a destruição de um embrião é o mesmo que matar um ser humano.

As células-tronco são classificadas como:

-Totipotentes ou embrionárias - São as que conseguem se diferenciar em todos os 216 tecidos (inclusive a placenta e anexos embrionários) que formam o corpo humano.
-Pluripotentes ou multipotentes - São as que conseguem se diferenciar em quase todos os tecidos humanos, menos placenta e anexos embrionários. Alguns trabalhos classificam as multipotentes como aquelas com capacidade de formar um número menor de tecidos do que as pluripotentes, enquanto outros acham que as duas definições são sinônimas.
-Oligopotentes - Aquelas que conseguem diferenciar-se em poucos tecidos.
-Unipotentes - As que conseguem diferenciar-se em um único tecido.

Quais as funções naturais das células-tronco no corpo humano?
Elas funcionam como células curingas, ou seja, teriam a função de ajudar no reparo de uma lesão. As células-tronco da medula óssea, especialmente, têm uma função importante: regenerar o sangue, porque as células sangüíneas se renovam constantemente.

Onde ficam as células-tronco?
As células-tronco totipotentes e pluripotentes (ou multipotentes) só são encontradas nos embriões.
As totipotentes são aquelas presentes nas primeiras fases da divisão, quando o embrião tem até 16 - 32 células (até três ou quatro dias de vida). As pluripotentes ou multipotentes surgem quando o embrião atinge a fase de blastocisto (a partir de 32 -64 células, aproximadamente a partir do 5.o dia de vida) - as células internas do blastocisto são pluripotentes enquanto as células da membrana externa do blastocisto destinam-se a produzir a placenta e as membranas embrionárias.
As células-tronco oligopotentes ainda são objeto de pesquisas, mas podemos dizer como exemplo que são encontradas no trato intestinal.
As unipotentes estão presentes no tecido cerebral adulto e na próstata, por exemplo.

O que torna a célula-tronco capaz de formar um tecido ou outro?
A ordem ou comando que determina, durante o desenvolvimento do embrião humano, que uma célula-tronco pluripotente se diferencie em um tecido específico, como fígado, osso, sangue etc, ainda é um mistério que está sendo objeto de inúmeras pesquisas